sexta-feira, 19 de outubro de 2012


Por que eles gostam de olhar no espelho?


A fascinação com a imagem refletida no espelho é comum já nos primeiros meses de vida. É o encantamento de quem está descobrindo o mundo à sua volta e aprendendo a reconhecer as pessoas. Ao brincar com o reflexo, a criança sorri, produz sons, faz gestos. As reações mudam conforme a faixa etária. Com 6 meses, o bebê consegue reconhecer a imagem da mãe – chega até a olhar para a imagem da mãe no espelho e a que está ao lado. A vontade de se comunicar com as imagens aparece por volta dos 8 meses. Eles tocam o espelho na tentativa de pegar as figuras. Isso quando não tentam mordê-las. Somente lá pelos 18 meses é que o bebê descobre que é dele o reflexo que vê no espelho. Não há problema nenhum nessa curiosidade. Aproveite esse estímulo para brincar ainda mais com seu filho. Ele vai adorar!

Fonte: Patrícia Mony, pediatra do hospital Villa-Lobos (SP)

terça-feira, 9 de outubro de 2012



Da integração à inclusão, novo paradigma
Prof. Adriana Oliveira Bernardes
Doutoranda em Ciências Naturais (Uenf)

Educação Especial

A preocupação em oferecer, no Brasil, atendimento a pessoas com deficiência iniciou-se no século XIX, surgindo o interesse na criação de instituições educacionais direcionadas a essas pessoas.
A educação direcionada a indivíduos com necessidades especiais é chamada Educação Especial; segundo a legislação, é uma modalidade de educação escolar integrante da educação geral.
No Brasil, a Educação Especial se divide em dois períodos: de 1854 a 1956, é marcada por iniciativas oficiais e particulares isoladas; surgiram nesse período o Imperial Instituto dos Meninos Cegos (1854) e o Imperial Instituto de Surdos-Mudos (1857), hoje, respectivamente, Instituto Benjamim Constant e Instituto Nacional de Educação para Surdos.
De 1957 até os dias de hoje, a Educação Especial é marcada por iniciativas em âmbito nacional.

Integração

O princípio da integração norteou, por muito tempo, os ideais da Educação Especial; trata-se de um processo que visa a integrar o aluno à escola, gerando meios para que o aluno com necessidades especiais se integre graças ao atendimento que lhe é oferecido; nesse modelo, ao invés de a escola ter que se adequar ao aluno, o aluno é que deve se adequar-se à escola.
Até recentemente, o modelo pedagógico utilizado na educação de alunos com necessidades especiais era o Modelo Integracionista.
Segundo Glat (1991), a integração “é um processo espontâneo e subjetivo, que envolve direta e pessoalmente o relacionamento entre seres humanos”. Na opinião de Rodrigues (2006), “a integração pressupõe uma ‘participação tutelada’, uma estrutura com valores próprios aos quais o aluno ‘integrado’ se tem que adaptar”.
A integração educativo-escolar refere-se ao processo de educar-ensinar, no mesmo grupo, crianças com e sem necessidades especiais durante uma parte ou na totalidade do tempo de permanência na escola (MEC,1994).
Ainda segundo Rodrigues (2006), “quando se fala de escola integrativa trata-se de uma escola em tudo semelhante a uma escola tradicional, em que os alunos com deficiência (os alunos com outros tipos de dificuldades eram ignorados) recebiam um tratamento especial”.
Nesse modelo nega-se a questão da diferença; o aluno especial é inserido no contexto escolar como qualquer outro, sem consideração quanto a possíveis diferenças existentes para seu processo de aprendizagem.
Para Pereira (1980, p. 3), integração “é fenômeno complexo que vai muito além de colocar ou manter excepcionais em classes regulares. É parte do atendimento que atinge todos os aspectos do processo educacional”.
Sabemos hoje que considerar que a essência da humanidade possui diferenças é de suma importância para a convivência entre as pessoas e para inserção dos alunos no ambiente escolar; devemos reconhecer as diferenças e aprender a conviver com elas, até porque, mesmo entre os alunos ditos “normais”, existem diferenças no processo de aprendizagem.
Segundo Rodrigues (2006), “o certo é que não só os alunos são diferentes, mas os professores são também diferentes, e ser diferente é uma característica humana comum, e não um atributo (negativo) de alguns”.
No contexto da integração, a educação acontecerá na medida em que o aluno com necessidades especiais se adaptar aos recursos disponíveis na escola regular.
Segundo Sassaki (1997, p. 32), no modelo integrativo “a sociedade em geral ficava de braços cruzados e aceitava receber os portadores de deficiência desde que eles fossem capazes de moldar-se aos tipos de serviços que ela lhes oferecia; isso acontecia inclusive na escola”.
Nesse modelo pedagógico é possível observar a exclusão dos alunos que não se adaptam ao ensino oferecido na escola regular. Esta escola investe no sentido de adaptar o aluno com necessidades especiais à escola regular, sem trabalhar a questão da sua autonomia com o propósito de emancipá-lo, sem exercitar seu senso crítico e colaborar para que haja reflexão tanto dos alunos sem deficiência quanto dos alunos deficientes.

Plano Nacional de Educação Especial – PNEE

Para garantir o ensino das pessoas com necessidades especiais, o PNEE teve por objetivo o desenvolvimento global da potencialidade dos alunos, o incentivo à autonomia, à cooperação, ao espírito crítico e criativo, bem como a integração das pessoas com necessidades especiais à sociedade.
Esse programa considera também a necessidade de apoio ao corpo técnico/docente de Educação Especial para o desenvolvimento do estudo e de pesquisas em torno da aprendizagem de pessoas com necessidades especiais, tendo como modelo o movimento integracionalista.
A integração é o princípio norteador do PNEE/1994 e entende que a integração dependerá da adaptação do aluno à escola regular, podendo ser vista como um processo que visa ao estabelecimento de condições que facilitem a participação da pessoa com necessidades especiais na sociedade, obedecendo aos valores democráticos de igualdade, participação ativa e respeito a direitos e deveres socialmente estabelecidos.
No PNEE, a Educação Especial é “um processo que visa a promover o desenvolvimento das pessoas portadoras de deficiência, conduções atípicas ou de altas habilidades e que abrange os diferentes níveis e graus do sistema de ensino”.
Segundo Pereira (1998), existem três formas principais de integração: a temporal, a social e a instrucional.
A integração temporal ocorre quando há disponibilidade de oportunidade para que a pessoa com necessidades educativas especiais permaneça mais tempo com seus companheiros ditos “normais”, esperando que sejam obtidos resultados.
A integração instrucional relaciona-se com a disponibilidade de oportunidades e condições de estímulos para os alunos no ambiente da classe regular, facilitando o processo ensino-aprendizagem.
A integração social refere-se ao relacionamento dos alunos com deficiência e seus companheiros sem deficiência.

Princípio da normalização

Segundo o MEC (2004), é um princípio que representa a base filosófico-ideológica da integração.
Na década de 1970 surgiu o princípio da normalização nos países escandinavos, que influenciaram muito a Educação Especial principalmente na Dinamarca, oferecendo grande subsídio legal e filosófico que se opunha às alternativas e modalidades de atendimento de caráter segregativo  e centralizado.
O conceito de deficiência estático e permanente cedeu lugar a uma visão mais dinâmica e humanística da deficiência.
Uma das consequências fundamentais da normalização é a integração.
A ideia é oferecer às pessoas com necessidades especiais condições de vida semelhantes à do resto da sociedade. A normalização se refere às condições do ambiente no qual vivem as pessoas deficientes, que deverá ser semelhante ao das pessoas em geral, e não à normalização da pessoa deficiente.
Segundo Mantoan (1997, p. 120), “a normalização visa tornar acessível às pessoas socialmente desvalorizadas as condições e os modelos de vida análogos aos que são disponíveis, de modo geral, ao conjunto de pessoas de um dado meio ou sociedade”.
A integração escolar vem se caracterizando como um processo de educar-ensinar alunos com deficiência e alunos sem deficiência em tempo parcial ou na totalidade do tempo de permanência na escola.
O princípio da inclusão aponta para uma pedagogia equilibrada, entendendo que as diferenças humanas normais e que a aprendizagem deve ajustar-se às necessidades de cada aluno, e não os alunos adaptar-se ao ritmo imposto pelo processo educativo.
Uma das grandes estratégias decorrentes da normalização e integração relaciona-se com o mainstreaming.
Mainstreaming se refere à integração temporal, instrucional e social da pessoa com necessidade especial elegível com crianças normais, de forma progressiva, baseada em estudos e avaliações individuais” (Cerqueira,  2003).
Embora severas críticas venham sendo feitas ao processo de integração do aluno com deficiência na sociedade, Sassaki afirma (1997, p. 28), “a respeito dos princípios de normalização e integração [que] foram importantes elementos na aquisição de conhecimentos e experiências de integração”.
Tanto o princípio da normalização como o processo de mainstreaming foram importantes elementos na aquisição de conhecimentos e experiências de integração para o surgimento do paradigma da inclusão (Sassaki, 1997).
O conceito de integração já pode ser considerado ultrapassado; a proposta atual é da educação inclusiva.
Consultoria
O professor especializado não trabalha diretamente com o aluno. Ele apenas orienta o professor da turma comum em sua ação pedagógica.
Sala de recursos
Funciona em escola regular e dispõe de equipamentos e recursos pedagógicos específicos e de professor especializado para atuar junto ao educando com necessidades educativas especiais.
Ensino com professor itinerante
Professor especializado que periodicamente vai à escola regular onde estuda o educando portador de necessidades educativas especiais para trabalhar com ele e com seu professor, oferecendo-lhes ensino, orientação e supervisão.
Classe especial
Sala de aula em escola regular organizada como ambiente adequado ao processo de ensino-aprendizagem dos alunos portadores de necessidades educativas especiais, onde professores capacitados utilizam métodos, técnicas e recursos pedagógicos especializados e, quando necessário, equipamentos e materiais didáticos específicos.
Escola especial
É uma instituição especializada, destinada a prestar atendimento psicopedagógico a educandos portadores de deficiências e condutas típicas, onde são desenvolvidos e utilizados por profissionais qualificados currículos adaptados, programas e procedimentos metodológicos diferenciados, exigindo equipamentos e materiais didáticos específicos.
Escola residencial
Uma escola onde os alunos também vivem, podendo sair nos finais de semana. É a forma mais antiga de atendimento educacional especializado; entretanto, os sistemas educacionais praticamente não a oferecem mais, por ser muito segregativa: afasta o aluno do convívio com os demais alunos, do convívio familiar e da comunidade.
Classe hospitalar
Ambiente hospitalar que possibilita o atendimento educacional de crianças e jovens internados que necessitam de educação especial e que estejam em tratamento hospitalar.
Ensino domiciliar
Atendimento educacional prestado ao portador de necessidades educativas especiais em sua casa em função da impossibilidade de frequentar a escola.
Centro integrado de educação especial
Organização que dispõe de serviços de avaliação diagnóstica, de estimulação essencial, de escolarização propriamente dita e de preparação para o trabalho, contando com o apoio de equipe interdisciplinar que utiliza equipamentos, materiais e recursos didáticos específicos para atender alunos portadores de necessidades especiais.
Estimulação essencial
Local destinado ao atendimento de portadores de deficiência de 0 a 3 anos e de crianças consideradas de alto risco; são desenvolvidas atividades terapêuticas e educacionais para desenvolvimento global.
Tabela 1 – Proposta atual de Educação Inclusiva
Fonte: MEC/SEESP

Educação Inclusiva

Segundo Glat (2005), “a educação de alunos com necessidades educativas especiais, que tradicionalmente se pautava num modelo de atendimento segregado, tem se voltado nas últimas duas décadas para a Educação Inclusiva”.
Esse é o novo paradigma educacional, no qual o ensino regular recebe estudantes que compreendem toda a diversidade de pessoas existentes em nossa sociedade, incluindo aqui alunos com necessidades especiais.
A Educação Inclusiva tem consciência da diversidade da espécie humana e trabalha dentro da escola tentando oferecer aos alunos com necessidades educacionais especiais recursos na sala de aula regular.
Segundo Stainback e Stainback (1999, p. 21),
A educação inclusiva pode ser definida como “a prática da inclusão de todos” – independente de seu talento, deficiência, origem socioeconômica ou cultural – em escolas e salas de aula provedoras, onde as necessidades desses alunos sejam satisfeitas.
Porém Glat (2005) considera que
no entanto, em que pese o crescente reconhecimento da Educação Inclusiva como norma prioritária de atendimento a alunos com necessidades educativas especiais, na prática esse modelo ainda não se configura em nosso país como uma proposta educacional amplamente difundida e compartilhada. Embora nos últimos anos tenham sido desenvolvidas experiências promissoras, a grande maioria das redes de ensino carece das condições institucionais necessárias para sua viabilização”.
A escola regular, de maneira geral, não foi nem é planejada para acolher a diversidade de indivíduos, mas para a padronização, para atingir os objetivos educativos daqueles que são considerados dentro dos padrões de “normalidade” (Ibernón, 2000).
Segundo Mantoan (2002), as crianças precisam da escola para aprender e não para marcar passo ou ser segregada em classes especiais e atendimentos à parte. Nesse sentido ele afirma que priorizar a qualidade do ensino regular é, pois, um desafio que precisa ser assumido por todos os educadores.
Para esse autor, “a inclusão escolar remete a escola a questões de estrutura e de funcionamento que subvertem seus paradigmas e que implicam um redimensionamento de seu papel para um mundo que evolui a bytes.
“O desenvolvimento das escolas inclusivas implica modificações substanciais na prática educativa, desenvolvendo uma pedagogia centrada na criança e capaz de dar respostas às necessidades de todas as crianças, incluindo aquelas que apresentam incapacidade grave” (Blanco, 1998).

CNE/CEB

A resolução CNE/CEB no 2, de 11 de setembro de 2001, determina diretrizes para Educação Especial na Educação Básica, tendo sido influenciada por diretrizes internacionais. Essas diretrizes têm como base a Educação Inclusiva e são organizadas em dois blocos: sistemas de ensino e formação de professores.
O que norteia as Diretrizes Nacionais da Educação Especial para Educação Básica é o princípio da Inclusão. Esse princípio fala da importância do entendimento das diferenças individuais e que a escola deve se adaptar aos alunos com deficiência – e não o contrário.
Segundo Rodrigues (2006),
O conceito de Inclusão no âmbito específico da Educação implica, antes de mais, rejeitar por princípio a exclusão (presencial ou académica) de qualquer aluno da comunidade escolar. Para isso, a escola que pretende seguir uma política de Educação Inclusiva (EI), desenvolver políticas, culturas e práticas que valorizam o contributo activo de cada aluno para a construção de um conhecimento construído e partilhado e, dessa forma, atingir a qualidade académica e sociocultural sem discriminação.

Referências

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FONTE:http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao/0252.html

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Como Ontem Não Fiz Isto Antes Receando




O filme CONFIAR traz para nós, professores, pais, filhos e sociedade em geral, um tema que além de polêmico é também muito divulgado, porém, pouco tematizado por nossa mídia (TV, jornais, Facebook, Twitter, Orkut, etc.). E o poder que essas ferramentas de entretenimento têm sob as pessoas é muito grande. O modelo de família feliz, com êxito, enfim, perfeita, é desfigurado a partir do momento que o pai presenteia sua filha de 15 anos de idade com um computador portátil, pensando assim ter feito um ótimo negócio ao inserí-la num mundo moderno e cheio de novidades tecnológicas.
A garota deslumbrada com o computador que acabara de ganhar como presente de aniversário inicia sua viagem ao fascinante mundo virtual desconhecido por ela e também por seus pais, que pouco observam por quais sites a menina está navegando e com quem a mesma passa a manter amizade. Até que um belo dia ou, melhor dizendo, infeliz dia que ela se aproveita de uma saída deles para ir ao encontro daquele que a conquistara, mesmo sabendo que ele já havia mentido para ela acerca da sua real idade. No encontro, ela acaba descobrindo de uma vez por todas que, na verdade, ele é muito mais velho do que realmente dizia, mas mesmo assim ele consegue iludí-la e levá-la para um motel. E não só mantém relação sexual com a menina como também filma tudo sem que ela perceba.
Os dias se passam e a menina, mesmo assustada com tudo que aconteceu com aquele que, na verdade, tinha idade para ser seu pai, começa a sentir sua falta e depara-se com o inesperado: a paixão descomedida por um homem que além de ser vinte e um anos mais velho que ela, é obscuro e cheio de más intenções. A vida dessa garota torna-se um subsistir conflituoso em todas as suas relações, principalmente, com seu pai, que, ao saber do que aconteceu com sua filha querida, busca desenfreadamente a cabeça daquele que havia desonrado-a, não medindo esforços para isso e nem levando em consideração se os seus meios eram lícitos ou não.
Em meio a todo esse caos em que se transformou a rotina da família, a menina não enxergava o homem com o qual se encontrou como um mau caráter, criminoso, isto é, pedófilo. Ela acreditava que tudo só havia acontecido porque eles se apaixonaram um pelo outro e a reação de todos ao seu redor se devia exclusivamente ao preconceito de idade. Por isso, se revoltou ao perceber a obsessão com a qual o pai caçava o cara que a tinha ludibriado. Assim, o relacionamento entre pai e filha ficou profundamente abalado.
No final, eles se desculpam mutuamente.
E o que acontece com o criminoso? Nada. A justiça não consegue encontrá-lo e ele continua vivendo ao lado de seu filho e de sua esposa normalmente. E o pior de tudo: mantendo a imagem de ótimo professor de Ensino Fundamental II, ou seja, de adolescente. Apesar de já ter abusado de, pelo menos, quatro garotas.
O que conseguimos ver nesse filme é uma realidade assustadora tanto ao que diz respeito à sociedade (no sentido de termos verdadeiros monstros infiltrados e camuflados nela, sob pele de cordeiro) como também de famílias (no sentido de, muitas vezes, ficarem um tanto alheias ao que está acontecendo com os seus filhos, talvez sob o pretexto ou a real crença de que eles já sabem o que devem ou não fazer).
As crianças e os adolescentes estão muito entregues a si mesmos e à mídia no geral. Não há um monitoramento maior por parte dos seus responsáveis. E esses jovens acabam ficando à mercê de um mundo muito atraente e que, às vezes, pode acabar criando verdadeiras armadilhas onde não haja retorno e, quando há, podem deixar eternas e indeléveis cicatrizes.
Estamos consentindo que as tecnologias, os avanços que a sociedade tem alcançado usurpem o que de mais precioso possa existir no seio de uma família: o diálogo!
Ao permitir que máquinas apoderem-se de algo tão essencial na convivência humana, estamos nos alienando e nos deixando sucumbir por elas.
É preciso uma tomada de consciência seguida de ações verdadeiramente concisas, ou seja, que nossas ações possam exprimir mudanças reais e eficazes não só no âmago das famílias, mas na sociedade como um todo.
Por melhor que os nossos filhos sejam, não devemos confiar TOTALMENTE neles, principalmente, na infância e na adolescência, porque nessas fases eles estão em formação, ou seja, ainda não estão formados. Eles precisam e contam com a nossa presença e intervenção.
Como dizia Baltasar Grácian, “a confiança [exagerada] é a mãe do descuido”.
Até quando nos descuidaremos das nossas obrigações como pais e educadores?
Sobre o filme como um todo, é muito bom, realista e tão sensível quanto poderia ser num assunto tão delicado como este. Em suma, nota 10!